As simulações no processo da construção do conhecimento
Demócrito de Abdera (460 a.C. - 370 a.C.) foi um filósofo pré-socrático da Grécia Antiga nascido na cidade de Mileto ou Abdera. Ele foi um dos precursores do atomismo. Já em sua época, ele acreditava que toda matéria poderia ser subdividida em partes cada vez menores até atingirmos uma determinada subdivisão limite. A essa subdivisão ele deu o nome de átomo (em grego antigo: ἄτομον, atomon, "o que não pode ser cortado", "indivisível"). Influenciado por sua experiência pessoal, ele passa a representar o átomo como uma esfera (ou seja, tentar reproduzir nesse novo ente alguma forma do mundo real já conhecida).
Demócrito de Abdera. Fote: Só História
Desde então, diversos cientistas vêm descobrindo que o indivisível átomo é cada vez mais divisível nas chamadas partículas subatômicas. De acordo com o próprio desenvolvimento do que o método científico atingiu, não podemos mais simplesmente inferir representações a essas novas descobertas, precisamos de fato observa-las e, só então, postularmos sua natureza.
Descoberta do Bóson de Higgs. Fonte: Revista Galileu
O problema é que observar tais partículas diretamente é impossível de acordo com nossa atual compreensão de como as leis físicas regem o universo subatômico. O máximo que podemos fazer é medi-las indiretamente e inferir sua natureza a partir de estatísticas bem fundamentadas provindas da mecânica quântica.
O que acontece então, como foi o caso da descoberta do Bóson de Higgs em 2012, é que saímos de uma condição de mera representação da realidade para uma simulação da mesma feita em um laboratório, levantando-se o máximo de variáveis relevantes possíveis para tal determinação. Se a experimentação aproxima-se de maneira suficiente da simulação, tomamos então que a simulação é de fato satisfatória e a partir dela inferimos propriedades a entes reais.
Essa quebra de paradigma que as imagens passam a adquirir no mundo moderno então, saindo de meras representações para simulações da realidade, é o que Felippe Serpa escreve em seu texto A Imagem como Paradigma. Parafraseando-o: "hoje devemos ver a imagem não como representação da realidade e sim como a própria realidade, pois ela constitui-se no fator estruturante da mesma realidade".
Postagem referente à aula do dia 08/10/19.


A produção de conhecimento atingiu uma complexidade tal que é fundamental o emprego das simulações para a compreensão desses processos. No entanto, elas ainda não estão presentes em nossas escolas; os professores continuam explicando os conceitos a partir de desenhos estáticos, que muitas vezes deturpam a interpretação e levam a equívocos conceituais. Precisamos investir na incorporação desses modelos dinâmicos em sala de aula.
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