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Uma reflexão sobre o currículo de Física nas escolas

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As discussões sobre o uso da internet e a necessidade de adotarmos uma melhor metodologia ao utilizarmos o livro didático me lembrou um artigo de José Chiquetto que busca criticar o currículo (especificamente de Física) adotado pela maioria das escolas. Fonte: Abre Livros É notável como a Física é apresentada aos alunos como um mero conjunto de fórmulas destinadas a resolverem problemas específicos que caem em alguma prova. Na maioria das vezes, ela não é contextualizada nem com a natureza nem com o cotidiano. O autor mostra que essa característica não é nenhum pouco atual: ela remonta aos primeiros programas de vestibulares do início do século XX, quando passou-se a se preocupar com ciência nas escolas. Tristemente, ao compararmos esse programa com o currículo atual, vemos que as diferenças são meramente conteudistas. O ensino médio naquela época era visto simplesmente como uma etapa preparatória para a universidade: nada mudou. Para criticar o status-quo do ensino, o aut...

O uso da TV no ambiente escolar: uma experiência pessoal

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A TV Escola foi criada em setembro de 1995, indo ao ar oficialmente no dia 4 de março de 1996. Foi um recurso bastante controverso disponibilizado pelo governo federal na época que tinha como princípio levar um complemento para a educação de jovens e adultos frente a introdução dessa "nova" tecnologia no contexto escolar, que era a televisão. Logo da TV Escola. Fonte: Info TV RJ Desde criança, quando meus pais colocaram uma antena parabólica em minha casa e eu passei a ter acesso a mais do que os 2 canais de TV locais, eu não saía mais da frente da televisão. Aos meus 13 anos eu assisti pela primeira vez (de maneira independente) a série Cosmos: A Personal Voyage (um programa de divulgação científica com 13 episódios escritos por Carl Sagan e sua esposa Ann Druyan) na TV Escola. Eu fiquei tão fascinado por aquilo que fora apresentado que tinha certeza que no futuro eu estaria seguindo carreira em uma área científica. E aqui estou, cursando Física. Eu não encontrei ...

Uma contribuição pessoal para a construção de conhecimento: fazendo o uso das licenças CC

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As Creative Commons (CC) são licenças alternativas à licença de Copyright  que permite aos criadores de conteúdo disponibilizarem para o público seus trabalhos da maneira como bem entendem com relação ao uso do que produziram, permitindo que terceiros compartilhem, remodelem e que comercializem suas criações. O esquema abaixo explica um pouco melhor sobre como funciona cada uma das seis combinações das CCs: Fonte: Research Gate Desde que comecei a me interessar por fotografia, tenho feito upload do que produzo no site Flickr , uma rede social internacional de compartilhamento de fotografias. Assim que comecei a utiliza-la, notei que ao postar minhas imagens, eu poderia atribuir a elas uma licença de copyright ou alguma das seis licenças CC. Por desconhecimento, passei a utilizar sempre a licença C, até que tomei conhecimento do projeto Astrometry , da Universidade de Toronto. O Astrometry consiste no desenvolvimento de um software  capaz de identificar automaticament...

A necessidade de um sistema operacional livre para smartphones

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Em 4 de Outubro de 1985, Richard Stallman criou a Free Software Foundation (FSF, Fundação para o Software Livre), uma organização sem fins lucrativos cuja filosofia se baseia, em essência, na liberdade de cópia, estudo e modificações de softwares . O surgimento do movimento software livre promoveu a criação de diversos programas e sistemas operacionais onde os usuários possuem total acesso e direito de manipulação sobre seus códigos, promovendo assim uma contracultura à restrição de acesso promovida por grandes corporações de softwares, como Apple e Microsoft . Richard Stallman. Fonte: FTSL Apesar bastante difundidos, sistemas livres, como os baseados em GNU-Linux, ocupam o lugar de protagonistas em uma porcentagem ainda muito pequena dos desktops  e notebooks utilizados ao redor do mundo. De acordo com uma pesquisa do  NetMarketShare feita em 2017, apenas 3,37% das máquinas faziam uso desse sistema operacional. Apesar de parecer pequeno, esse número ameaçava se igual...

A decadência do EAD nos moldes atuais

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A Educação a Distância (EAD) tem uma longa história. Há aqueles que traçam suas origens desde a constante troca de cartas entre cientistas durante a Revolução Científica dos séculos XVI e XVII. Nos moldes atuais, com a popularização de veículos de comunicação nas décadas de 80 e 90, o EAD passou a ser feito através de transmissões por satélites e envio de materiais impressos pelos correios. Um exemplo clássico disso é o Telecurso, lançado em novembro de 1978 pela Fundação Roberto Marinho com o objetivo de ampliar o acesso à educação. O projeto dispunha da exibição de conteúdo educativo pela TV e a distribuição de material didático acessível para todo o país. O projeto também utilizava a televisão como recurso pedagógico para ajudar as escolas a aprofundar conteúdos e contextualiza-los para os alunos. Telecurso 2000. Fonte:  Museu da Pessoa O discurso da popularização e disseminação da educação de maneira rápida e prática é realmente louvável e disso o EAD dispõe de enorme...

Memes?

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Na internet, "meme" refere-se a tudo aquilo que "viraliza" na rede, ou seja, que é replicado, repostado e revivido periodicamente nas comunidades virtuais. Rage Faces. Fonte:  Polygon Meu primeiro contato com os memes (ou talvez uma das primeiras vezes que eu ouvi falar sobre o que de fato eles eram) foi por volta de 2010, quando as rage faces  passaram a dominar as páginas de humor do Facebook . Atire a primeira pedra quem não passou as tardes nessa época  socrollando o Ah Negão rindo das "carinhas" (como eram carinhosamente chamados pelos brasileiros). Ao menos dentro da minha experiência na internet, eles foram a primeira categoria de imagens e vídeos a ganharem uma massiva replicação pelas redes sociais e popularização de fato o processo de "memetização" entre as comunidades. Rap dos Memes, por Cauê Moura É claro que memes existem desde quando os computadores pessoais passaram a se popularizar a partir da década de 90. Eu...

As simulações no processo da construção do conhecimento

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Demócrito de Abdera (460 a.C. - 370 a.C.) foi um filósofo pré-socrático da Grécia Antiga nascido na cidade de Mileto ou Abdera. Ele foi um dos precursores do atomismo. Já em sua época, ele acreditava que toda matéria poderia ser subdividida em partes cada vez menores até atingirmos uma determinada subdivisão limite. A essa subdivisão ele deu o nome de átomo (em grego antigo: ἄτομον, atomon, "o que não pode ser cortado", "indivisível"). Influenciado por sua experiência pessoal, ele passa a representar o átomo como uma esfera (ou seja, tentar reproduzir nesse novo ente alguma forma do mundo real já conhecida). Demócrito de Abdera. Fote:  Só História Desde então, diversos cientistas vêm descobrindo que o indivisível átomo é cada vez mais divisível nas chamadas partículas subatômicas. De acordo com o próprio desenvolvimento do que o método científico atingiu, não podemos mais simplesmente inferir representações a essas novas descobertas, precisamos de fato obs...