A decadência do EAD nos moldes atuais
A Educação a Distância (EAD) tem uma longa história. Há aqueles que traçam suas origens desde a constante troca de cartas entre cientistas durante a Revolução Científica dos séculos XVI e XVII. Nos moldes atuais, com a popularização de veículos de comunicação nas décadas de 80 e 90, o EAD passou a ser feito através de transmissões por satélites e envio de materiais impressos pelos correios. Um exemplo clássico disso é o Telecurso, lançado em novembro de 1978 pela Fundação Roberto Marinho com o objetivo de ampliar o acesso à educação. O projeto dispunha da exibição de conteúdo educativo pela TV e a distribuição de material didático acessível para todo o país. O projeto também utilizava a televisão como recurso pedagógico para ajudar as escolas a aprofundar conteúdos e contextualiza-los para os alunos.
Telecurso 2000. Fonte: Museu da Pessoa
O discurso da popularização e disseminação da educação de maneira rápida e prática é realmente louvável e disso o EAD dispõe de enorme potencialidade. O problema não está portanto da concepção do que é a EAD, mas da forma como ela vem sendo feita não somente no Brasil, mas também em diversos outros lugares do globo.
Nossa concepção de Educação, como é vista de maneira generalizada por governantes, empresários e por boa parcela da população, é a de produto. Em uma sociedade capitalista, é inevitável que direitos básicos como esse adquiram o caráter de mercadoria a ser comercializada conforme ditam as leis do mercado. Esse fator aliado a uma crescente desvalorização federal desse setor, provocou no Brasil uma crescente oferta de cursos EAD que mais se assemelham a uma venda de uma série de palestras gravadas e disponibilizadas em vídeo. Segundo reportagem da Gazeta do Povo:
"Sem recursos para proporcionar financiamento estudantil de baixo custo, o governo federal passou a liberar, autorizar e dar automonia às IES para a oferta de programas na modalidade a distância. A liberação se dá com base no Índice Geral de Cursos (IGC) e autoriza IES com nota 5 a abrir, sem visita de avaliação, até 250 polos EAD ao ano; as que têm nota 4 podem abrir até 150 polos; as com nota 3, até 50 polos. Ocorre que existem apenas 36 IES com nota 5 no país: são 1,5% das 2.407 existentes. Já as com nota 3 – patamar mínimo para a existência de universidades, centros universitários e faculdades – são 1.805 (66,7%). Se estas últimas abrirem todos os polos a que têm direito, serão 9.025 novas unidades ofertando cursos EAD já neste ano."
Ou seja, sem critério para criação de cursos na modalidade EAD, a disseminação desse "estilo de educar" (entre aspas mesmo) torna-se contraproducente aos seus objetivos originais.
Um curso EAD não pode ser simplesmente uma gravação de um curso presencial a ser vendido no formato de vídeo. Requer um conhecimento profundo das mídias digitais e das formas de como adequá-las a fim de se construir um ambiente virtual de aprendizagem que de fato tenha a pretensão de fazer com que os alunos aprendam. Requer muito esforço, algo que vai contra o processo de dinamização e comercialização da Educação.
Postagem referente à aula do dia 22/10/19.

Não requer apenas esforço. Requer muito investimento, seja em infraestrutura, seja em produção de materiais e ambientes educativos, seja em pessoas para atender o grande número de alunos que se integra a esse tipo de curso. Ou seja, o discurso de barateamento da educação não pode ser a justificativa para a implementação dessa modalidade de ensino.
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