Teríamos nós, humanos, cometido um grave erro?
Já se perguntaram sobre o quão conectados estamos e sobre como isso não necessariamente é algo benéfico?
Um dos maiores adventos de nossa espécie foi ter superado nossas limitações físicas e biológicas no que diz respeito às nossas habilidades comunicativas. É fato que a combinação da linguagem e da escrita é algo único para o Homo sapiens sapiens, reconhecer esse grau de desenvolvimento comunicativo é inevitável. Mas já pararam para pensar que, sem meios que possibilitassem a transição de informações em larga escala, o alcance da comunicação humana (a curto prazo, ao menos) se limitaria apenas a poucos quilômetros dentro de um pequeno grupo de pessoas? Foi assim durante milênios na pré-história. Só para se ter noção, baleias se comunicam emitindo ondas nas águas dos oceanos com comprimentos tão longos que são capazes de manterem um sistema global de interação, isso valendo-se nada mais do que órgãos especializados em seus crânios. Nós não tivemos essa sorte. Foi o desenvolvimento do nosso cérebro que possibilitou a criação de tecnologias que nos auxiliassem a passar por cima dessa dificuldade: o homem primitivo já sabia utilizar tintas para escrever nas paredes das cavernas onde se abrigavam. Séculos mais tarde inventamos tábuas para registro de transações econômicas, depois criamos os livros... E agora a internet.
Nunca estivemos tão conectados uns aos outros. A informação flui de um lado para o outro de maneira jamais vista. Se antes demorávamos horas (ou dias) procurando determinado assunto em algum livro dentro de alguma biblioteca, hoje o fazemos em apenas um clique. De fato nossas tecnologias cumpriram bem esse papel. Mas seria essa uma faca de dois gumes?
A popularização das mídias sociais nos últimos 20 anos não foi acompanhada, em mesma proporção, pela evolução dos processos educacionais. Apesar de boa parte da população mundial ter acesso à internet, não fomos devidamente educados para utiliza-la. Olhando para nosso país, por exemplo, de acordo com o Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf), em 2018, 3 em cada 10 brasileiros são incapazes de compreender um simples texto ou realizar uma simples operação matemática, apesar de serem alfabetizados. Alinhe esse dado com o fato de que essas pessoas estão sendo constantemente bombardeadas com informações que são incapazes de compreender e, assim, buscam meios mais fáceis de fazê-lo. Esses meios, entretanto, incluem, na maioria esmagadora das vezes, imagens e vídeos tendenciosos sem qualquer tipo de embasamento científico. Como um analfabeto funcional é praticamente incapaz de desenvolver qualquer tipo de criticidade, dentro desse mar de informações em que estão submersos, escolhem inconscientemente se agarrarem à ignorância.
Trago como exemplo disso alguns comentários observados por mim em uma postagem do canal Conexão Geoclima no Facebook que traz uma imagem de satélite que mostra o escoamento de toda a fumaça produzida pelas recentes queimadas na Amazônia para outros estados do centro-oeste, sudeste e sul do Brasil.
Por puro viés político, essas pessoas, apesar de estarem sendo expostas a um fato, preferem deturpa-lo e ironizam uma situação gravíssima que transcende qualquer tipo de paixão ideológica. Elas não estão agindo assim de maneira aleatória ou individual. Elas estão conectadas umas as outras por uma rede de notícias falsas e de informações tendenciosas compartilhadas especialmente no Youtube, no Whatsapp e no próprio Facebook. São pessoas que, devido a falta de senso crítico, são incapazes de raciocinar sobre o ocorrido de maneira racional e deixam-se levar pelo jogo político. O que não falta na internet é material para alimentar a ignorância das massas.
Estou ciente de que o analfabetismo científico sempre existiu. A questão é que, pelo o que presencio diariamente, parece que o desenvolvimento das tecnologias da informação potencializaram a preservação da ignorância de uma tal maneira que não sei se somente políticas públicas de educação seriam suficientes para sanar esse câncer. Não é nem mais questão de que "nós não estamos sabendo usufruir dessas tecnologias", realmente acho que não temos a capacidade intelectual, enquanto sociedade, de estarmos expostos a toda essa conexão. Não nos acho evoluídos o suficiente para tal.
Infelizmente, sou completamente cético com relação a um hipotético cenário em que, havendo educação de qualidade para todos, saberíamos lidar com toda essa onda de informação que nos é jogada diariamente. Não vejo um futuro promissor a nossa frente.
Um dos maiores adventos de nossa espécie foi ter superado nossas limitações físicas e biológicas no que diz respeito às nossas habilidades comunicativas. É fato que a combinação da linguagem e da escrita é algo único para o Homo sapiens sapiens, reconhecer esse grau de desenvolvimento comunicativo é inevitável. Mas já pararam para pensar que, sem meios que possibilitassem a transição de informações em larga escala, o alcance da comunicação humana (a curto prazo, ao menos) se limitaria apenas a poucos quilômetros dentro de um pequeno grupo de pessoas? Foi assim durante milênios na pré-história. Só para se ter noção, baleias se comunicam emitindo ondas nas águas dos oceanos com comprimentos tão longos que são capazes de manterem um sistema global de interação, isso valendo-se nada mais do que órgãos especializados em seus crânios. Nós não tivemos essa sorte. Foi o desenvolvimento do nosso cérebro que possibilitou a criação de tecnologias que nos auxiliassem a passar por cima dessa dificuldade: o homem primitivo já sabia utilizar tintas para escrever nas paredes das cavernas onde se abrigavam. Séculos mais tarde inventamos tábuas para registro de transações econômicas, depois criamos os livros... E agora a internet.
Nunca estivemos tão conectados uns aos outros. A informação flui de um lado para o outro de maneira jamais vista. Se antes demorávamos horas (ou dias) procurando determinado assunto em algum livro dentro de alguma biblioteca, hoje o fazemos em apenas um clique. De fato nossas tecnologias cumpriram bem esse papel. Mas seria essa uma faca de dois gumes?
A popularização das mídias sociais nos últimos 20 anos não foi acompanhada, em mesma proporção, pela evolução dos processos educacionais. Apesar de boa parte da população mundial ter acesso à internet, não fomos devidamente educados para utiliza-la. Olhando para nosso país, por exemplo, de acordo com o Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf), em 2018, 3 em cada 10 brasileiros são incapazes de compreender um simples texto ou realizar uma simples operação matemática, apesar de serem alfabetizados. Alinhe esse dado com o fato de que essas pessoas estão sendo constantemente bombardeadas com informações que são incapazes de compreender e, assim, buscam meios mais fáceis de fazê-lo. Esses meios, entretanto, incluem, na maioria esmagadora das vezes, imagens e vídeos tendenciosos sem qualquer tipo de embasamento científico. Como um analfabeto funcional é praticamente incapaz de desenvolver qualquer tipo de criticidade, dentro desse mar de informações em que estão submersos, escolhem inconscientemente se agarrarem à ignorância.
Trago como exemplo disso alguns comentários observados por mim em uma postagem do canal Conexão Geoclima no Facebook que traz uma imagem de satélite que mostra o escoamento de toda a fumaça produzida pelas recentes queimadas na Amazônia para outros estados do centro-oeste, sudeste e sul do Brasil.
Por puro viés político, essas pessoas, apesar de estarem sendo expostas a um fato, preferem deturpa-lo e ironizam uma situação gravíssima que transcende qualquer tipo de paixão ideológica. Elas não estão agindo assim de maneira aleatória ou individual. Elas estão conectadas umas as outras por uma rede de notícias falsas e de informações tendenciosas compartilhadas especialmente no Youtube, no Whatsapp e no próprio Facebook. São pessoas que, devido a falta de senso crítico, são incapazes de raciocinar sobre o ocorrido de maneira racional e deixam-se levar pelo jogo político. O que não falta na internet é material para alimentar a ignorância das massas.
Estou ciente de que o analfabetismo científico sempre existiu. A questão é que, pelo o que presencio diariamente, parece que o desenvolvimento das tecnologias da informação potencializaram a preservação da ignorância de uma tal maneira que não sei se somente políticas públicas de educação seriam suficientes para sanar esse câncer. Não é nem mais questão de que "nós não estamos sabendo usufruir dessas tecnologias", realmente acho que não temos a capacidade intelectual, enquanto sociedade, de estarmos expostos a toda essa conexão. Não nos acho evoluídos o suficiente para tal.
Infelizmente, sou completamente cético com relação a um hipotético cenário em que, havendo educação de qualidade para todos, saberíamos lidar com toda essa onda de informação que nos é jogada diariamente. Não vejo um futuro promissor a nossa frente.
Postagem referente à aula do dia 20/08/19.

Sim, o futuro não é promissor, mas por isso mesmo precisamos agir, dentro de nossas possibilidades, e, como professores, nosso campo de ação é a educação. Então, precisamos trabalhar no sentido de desconstruir as notícias falsas, ajudar as pessoas a serem mais críticas, a estabelecerem relações entre os fatos, a tensionar as ideologias. Conseguiremos? num curto prazo, talvez não, mas precisamos ter paciência e continuar trabalhando...
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