A manipulação de informações na era digital

O primeiro computador totalmente programável, o ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer), foi apresentado em 14 de fevereiro de 1946 na Universidade de Pensilvânia. Ele tinha mais de 30 toneladas e ocupava a dimensão de toda uma sala.


Fonte: Tecmundo

Até o século passado, desde a invenção da escrita (ou até mesmo antes, quando os primeiros homens primitivos começaram a desenhar em rochas), todas as informações que eram passadas de uma pessoa para outra, através do tempo, estava fadada a permanecer daquela mesma forma onde foi grafada. Se quiséssemos alterar alguma parte da mensagem, tínhamos que corrompe-la ou refaze-la por completo. Tal corrupção poderia ser facilmente identificada por qualquer pessoa que se dedicasse a analisar a informação alterada. Vivemos por séculos transmitindo informações de uma forma totalmente analógica. Apenas a partir do surgimento dos primeiros computadores programáveis, como é o caso do ENIAC, a forma como registrávamos nossas atividades e de como nos comunicávamos foi alterada.

A unidade básica de um computador é o transistor. De maneira geral, cada transistor é o responsável por armazenar ou transmitir um único bit de informação por vez. Isso significa que qualquer material que queiramos depositar em uma máquina deve ser quebrado em milhões de pedaços e um algoritmo será responsável por reordena-los da maneira desejada. Esse é o princípio básico de funcionamento de qualquer tipo de digitalização.

Apesar de todos os benefícios que a transição de uma era analógica para uma era digital trouxe no que diz respeito à facilidade na transmissão de informações, o processo de corrupção de dados se tornou algo trivial. Se antes tínhamos que recriar todo um documento para alterarmos uma simples parcela do mesmo, hoje, como o armazenamento de informações deixou de ser contínuo e passou a ser fluido, a única coisa necessária para fazê-lo é ir direto nos bits desejados e altera-los como se queira. O desenvolvimento da indústria dos softwares de manipulação de imagens, por exemplo, chegou a um nível tão acessível que qualquer um é capaz de fazer tal corrupção utilizando simples aplicativos em seus celulares.

Segundo reportagem do Correio Brasiliense, 40% das imagens manipuladas não são percebidas pelas pessoas. Não é difícil acreditar que esse número tenda a aumentar visto que a  crescente dinamicidade na transmissão de informações é acompanhada por uma proporcional queda no nível de percepção dos usuários de máquinas digitais. É preciso estarmos atentos a tudo que nos cerca, especialmente hoje, onde tudo se tornou manipulável.

Postagem referente à aula do dia 10/09/19.

Comentários

  1. Daí a importância de formarmos cidadão críticos, "desconfiados", que saibam selecionar, filtrar as informações, que saibam conferir as fontes, que não se deixem levar pelo número de curtidas de que uma determinada informação recebe. A responsabilidade da educação é muito maior hoje, nesse contexto de informação em fluxo.

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