Reflexões históricas sobre o processo de construção da inteligência coletiva

Assim como a maioria dos animais, nós, humanos, sempre vivemos em comunidades. Na realidade, a vivência em grupo foi um dos fatores precursores da evolução da nossa espécie. Munidos de uma ferramenta que se destacava frente aos outros animais, o Homo sapiens sapiens, com seu cérebro, logo desenvolveu técnicas efetivas de registro de atividades e de informações para gerações futuras. Inseridos em uma comunidade, a transmissão dessas informações foi severamente potencializada e, nos primórdios, permitiu que sobrevivêssemos em detrimento de nossos ancestrais. 


Pinturas rupestres na Serra da Capivara. Fonte: VIX

A imagem acima é uma fotografia de uma pintura rupestre na Serra da Capivara, sítio arqueológico no estado do Piauí que indica que a região já era habitada há mais de 20 mil anos. Na imagem podemos identificar que o autor tinha como objetivo deixar grafada a ideia de que, em sua época, já sabiam de onde vinham os filhotes dos outros animais e faziam uma relação clara com o nascimento de bebês de nossa espécie. Assim, qualquer um de sua era, ao entrar em contato com tais símbolos, poderiam associa-los aos fatos, ocorrendo assim uma transmissão efetiva de conhecimento.

Sempre estivemos compartilhando uns com os outros. Sempre estivemos registrando, trocando, atualizando e construindo conhecimento. Isso acontece de maneira inevitável todas as vezes ao nos juntamos em comunidades. Não é atoa que no século III a.C, um dos maiores centros de concentração de poder, que foi o Império Romano, girava em torno da Biblioteca de Alexandria: enquanto os domínios de Roma se estendiam pelas entranhas da África e Oriente Médio, os soldados tinham uma ordem clara: preservar o conhecimento registrado pelos povos que iriam dominar. Foi utilizando um desses documentos preservados, por exemplo, que Eratóstenes foi capaz de calcular a circunferência da Terra já naquele século.



A forma como compartilhamos tais conhecimentos e o impacto que eles causam, claro, sofre influência direta das ferramentas tecnológicas disponíveis para nossa civilização em um dado momento histórico.

Hoje estamos inseridos em um contexto de conexão em rede que tende à onipresença: é o chamado ciberespaço. A forma como construimos comunidades nesse meio mudou, isso é fato, mas em essência preservamos o mesmo objetivo de nossos ancestrais: compartilhar. Para nós, agora, é muito mais simples acessar, criar, atualizar e difundir o conhecimento, já que estamos todos em rede.

Estaríamos nós próximos de um futuro onde, de fato, seremos capazes de estabelecer uma inteligencia coletiva plena? Onde a rede por onde interagimos se torne, na verdade, vias de mão dupla para a atualização dos saberes que nossa civilização é capaz de desenvolver?

Postagem referente à aula do dia 01/10/19.

Comentários

  1. Olá Gabriel, realmente esse é o desejo e a grande potencialidade das redes; no entanto, vários fatores têm cerceado essas potencialidades, sejam os interesses de grupos, a deficiência das políticas públicas, as discriminações de todas as ordens, fatores que mantêm uma grande parcela da população alijada dos ambientes onde se partilham conhecimentos.

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